quarta-feira, 1 de março de 2017

Venceslau Brás e Washington Luís, dois presidentes da república. Maçons que são de certa forma, pouco conhecidos, mas muito fizeram pelo Brasil.

Por Arthur Feitosa Vieira Monteiro, 29/01/2017

Este tema tem como objeto de estudos dois maçons que foram Presidentes da República. Busca realçar as biografias e realizações no governo em paralelo aos acontecimentos no âmbito da maçonaria, especificamente no Grande Oriente do Brasil.

VENCESLAU BRÁS (Presidente da República de 1906-1910)

Venceslau Brás Pereira Gomes, nasceu em Itajubá-MG, em 1868, e falecido na mesma cidade, em 1966, foi advogado, político e presidente da República durante a Primeira Guerra Mundial. Bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo, iniciou sua carreira como promotor público. Ingressou na política, foi eleito deputado por Minas Gerais, Secretário do Interior, Presidente de Minas Gerais, eleito novamente deputado federal e líder da maioria, foi vice-presidente da República no governo do marechal Hermes e em 1914, eleito presidente. Encontrou um país conturbado pelo estado de sítio do governo anterior e pela eclosão da Grande Guerra. Entrou na Primeira Guerra Mundial, integrando o Brasil no grupo dos aliados. Nos últimos meses de seu governo, o país foi atingido pela gripe espanhola com a morte de 15 mil pessoas.

Venceslau Brás foi iniciado na maçonaria em 7 de março de 1896. na Loja Caridade Mocoquense, oriente de Mococa-SP.

Ao assumir a Presidência da República idealizou o primeiro Código Civil Brasileiro, aprovado pelo Congresso em 1915. Após o navio brasileiro Paraná ser torpedeado por ordem da Alemanha, o seu governo tomou a decisão de que o Brasil participaria da 1° Guerra Mundial. A participação na guerra ficou restrita a médicos e expedicionários para mapear trecho da costa africana e o Atlântico Norte.

Concomitante ao governo o Grande Oriente do Brasil passava por momentos delicados pois o Grão Mestre Geral e Senador da República Lauro Sodré, havia sido preso com outros oficiais do Exército em decorrência de discursos que provocaram levantes populares. Retornou por reeleição, em 1907, ao cargo de Grão Mestre do Grande Oriente do Brasil e no mesmo ano aprovou uma nova constituição do GOB e Regulamento Geral da Federação do GOB, que vigeu até 1930.

No início de seu governo no ano de 1914, combateu a Guerra do Contestado. Na economia, adotou uma política financeira rígida para o enfrentamento da redução significativa das exportações brasileiras, devido a Primeira Guerra Mundial Com a inibição das importações, permitiu ao Brasil criar indústrias, o que estimulou a produção nacional e especializou muitos operários. Mas fez também que eclodissem várias greves, como a de 1917 em São Paulo.

Faleceu na cidade de Itajubá, estado de Minas Gerais, em 15 de maio de 1966. Foi homenageado por meio de três cidades, uma em Minas Gerais, Venceslau Brás, outra no Paraná, Venceslau Brás, e outra em São Paulo, Presidente Venceslau.

WASHINGTON LUÍS (Presidente da República de 1926-1930)

Washington Luís Pereira de Sousa, nasceu em Macaé-RJ, em 1870, e faleceu em São Paulo, em 1957, foi político, historiador e último presidente da chamada República Velha. Fez toda a sua vida pública em S. Paulo, sendo por isso chamado de "paulista de Macaé". Bacharelado em Direito pela Faculdade de S. Paulo, iniciando carreira como promotor público em Barra Mansa, de onde foi para São Paulo, onde passou a advogar. Foi vereador em Batatais-SP. Foi deputado estadual, secretário da Justiça, prefeito da capital paulista e presidente do Estado de São Paulo. Sua candidatura à presidência da República, para o quatriênio 1926-1930, foi recebida com esperanças de pacificação, após a agitada gestão de Arthur Bernardes. Eleito, ele libertou os presos políticos, impulsionou a construção de estradas de rodagem. Tentou aplicar uma reforma financeira, que poderia significar o desafogo do país.

No ano de 1926 o Grande Oriente do Brasil passava por problemas que envolviam os maçons Octavio Kelly e Mario Behring e consequente cisão.

Eleito com seu Vice-Presidente Fernando de Melo Viana pelo PRP-Partido republicano Paulista, mantinha dois focos principais a construção de rodovias com o objetivo de promover o desenvolvimento comercial das cidades Rio-São Paulo e Rio-Petrópolis e em seguida a sua extensão até Minas Gerais. O outro foco era a estabilização monetária mediante a formação de reservas em ouro.

Com a crise de 1929 dos Estados Unidos, repercutiu no seu governo com inúmeras falências de empresas e indústrias, desempregos, queda no preço do café e falta de investimentos na agricultura.

Em decorrência do movimento revolucionário 1930 da política oposicionista apoiado por Getúlio Vargas, Washington Luís foi deposto a 24 de outubro e deportado, encerrando-se assim a República Velha.

Embora não se saiba a data e o local de sua iniciação maçônica, sabe-se que ele pertenceu à Loja Filantropia II, de Batatais-SP, da qual foi fundador e primeiro Venerável Mestre. Em São Paulo, fez parte, a partir de 1921, do quadro da Loja União Paulista, sendo também membro honorário da Loja Amizade. Faleceu em São Paulo, em 1957.

Os dois maçons e Presidentes da República Wenceslau Brás e Washington Luís sucederam governos problemáticos e com a desfavorável situação política e econômica pelo qual o país se encontrava. Trabalharam com austeridade e com o foco na estabilidade econômica para proporcionar o desenvolvimento econômico do país. Como maçons mantiveram a discrição e pouco se envolveram com as situações políticas das Lojas Maçônicas e Grande Oriente do Brasil.

REFERÊNCIAS



___ - Centro de Informação de Acervos dos Presidentes da República – Biografia de - Wenceslau Braz Pereira Gomes – Disponível em <http://www.an.gov.br/crapp_site/default.asp>, consultado em 29/01/2017.
___ - Centro de Informação de Acervos dos Presidentes da República – Biografia de Washington Luís Pereira de Sousa – Disponível em <http://www.an.gov.br/crapp_site/default.asp>, consultado em 29/01/2017.
___ - WIKIPÉDIA - Venceslau Brás Pereira Gomes – Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Venceslau_Br%C3%A1s>, consultado em 29/01/2017.
___ - WIKIPÉDIA - Washington Luís – Disponível em <https://pt.wikipedia.org/wiki/Washington_Lu%C3%ADs>, consultado em 29/01/2017.
- CASTELLANI, José e CARVALHO, William Almeida de, - História do Grande Oriente do Brasil – São Paulo, Editora Madras, 2009.
- DEL PRIORE, Mary - Uma breve história do Brasil / Mary del Priore, Renato Venancio. – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010
- FAUSTO, Boris, 1930 – História do Brasil – São Paulo – Editora Universidade de São Paulo – Fundação do Desenvolvimento da Eduação, 1995.

- PRADO JUNIOR, Caio – História Econômica do Brasil – São Paulo - Editora Brasiliense, 1972

Rivalidade maçônica e ideológica entre José Bonifácio e Gonçalves Ledo

Por Arthur Feitosa Vieira Monteiro, 01/02/2017

Existe uma simbiose entre a história da maçonaria e independência do Brasil, haja vista as diferentes posições e visões de alguns maçons influentes na maçonaria bem como no império, dentre os quais destacamos dois nomes importantes, José Bonifácio e Gonçalves Ledo. Protagonistas de articulações a frente e nos bastidores do recém-fundado Grande Oriente e influências na máxima esfera imperial. Para um melhor entendimento da rivalidade entre estes dois maçons, é de suma importância conhecer uma síntese da biografia destes notáveis líderes brasileiros.


Joaquim Gonçalves Ledo, na maçonaria recebeu o nome histórico de Diderot. Nasceu no Rio de Janeiro-RJ em 1781, Mudou-se para Coimbra onde tem o seu curso de Medicina incompleto. Ao retornar para o Brasil trabalhou no Exército. Trabalhou de forma bastante atuante nos movimentos pela independência do Brasil. Participou na maçonaria e fez dela o celeiro das ideias de liberdade do país. Em 1821 fundou com o cônego Januario Barbosa um jornal intitulado Revérbero Constitucional Fluminense, que teve como foco o movimento de independência do Brasil, jornal este que buscava a integração e nacionalismo. Participou para a reerguimento da Loja Comércio e Artes. Com articulação de Gonçalves Ledo e Domingos Barreto entregaram o título de Defensor Perpétuo do Brasil ao D. Pedro em 13 de maio 1822. Foi eleito deputado, foi perseguido e processado em outubro de 1822 pelo seu rival e Ministro de Estado José Bonifácio. Em seguida o Grande Oriente do Brasil foi fechado, e fugiu acompanhado de Januário, Alves e Clemente para que não fossem presos ou deportados. Com o enfraquecimento dos Andradas, em julho do ano seguinte voltou ao Brasil e assumir o cargo de deputado o qual havia sido eleito e permaneceu no cargo até 1834. Nos anos 1831 e 1832 trabalhou para o soerguimento do Grande Oriente. Faleceu no dia 19 de maio de 1847.

José Bonifácio de Andrada e Silva. na maçonaria recebeu o nome histórico de Pitágoras. Nasceu em Santos-SP em 1763. Estudou Ciências Naturais em Coimbra, estagiou na Alemanha, Itália, França Dinamarca e Suécia. Foi primeiro professor de Metalurgia da Universidade de Coimbra. Pertenceu a diversas entidades científicas da Europa. Dominava vários idiomas tais como francês, grego, latim, alemão e inglês. Participou como tenente-coronel da resistência da invasão das tropas de Napoleão. Retornou ao Brasil em 1819 e participou ativamente na política.. Em 1821, foi vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo e, a 24 de dezembro do mesmo ano, redigia o ofício dos paulistas a D. Pedro. Em 18 de janeiro de 1822, nove dias depois do "Fico", José Bonifácio chegava ao Rio para assumir o Ministério do Reino e de Estrangeiros. Quando da fundação do Grande Oriente, a 17 de junho, foi escolhido Grão-Mestre pela sua influência política. Fundou a Nobre Ordem dos Cavalheiros de Santa Cruz ou o Apostolado para a luta pela independência. Trabalhou na construção da Marinha de Guerra. Discordava do grupo de Gonçalves Ledo, pois pregava uma independência com união do Brasil com Portugal ao invés da total emancipação. Por ser muito influente com D. Pedro, iniciou-se muitos atos de hostilidade e perseguição ao grupo de Gonçalves Ledo, que prontamente era respondido. Em 17 de julho de 1823, ocorreu sua queda, seguida de prisão e desterro. Só voltaria ao país em 1829 e, após a abdicação de D. Pedro I e a pedido deste, tornou-se tutor do futuro D. Pedro II. Ainda em 1831, participaria da reinstalação do Grande Oriente, voltando a ser seu Grão-Mestre. Em 1832 foi destituído da tutoria, processado, preso e absolvido, posteriormente. Faleceu em Niterói em 6 de abril de 1838.

Na fundação do Grande Oriente Brasiliano, em 28 do terceiro mês de 5822 V.L. o maçom José Bonifácio de Andrada e Silva foi nomeado Grão-Mestre Geral e eleito como Primeiro Grande Vigilante o maçom Joaquim Gonçalves Ledo. O Grupo de Gonçalves Ledo, contra a opinião do grupo de José Bonifácio, promoveu a iniciação de D. Pedro com interesses políticos, que após três dias foi elevado a mestre maçom. Por sugestão de Gonçalves Ledo, Dom Pedro é aclamado Grão-Mestre do Grande Oriente Brasiliense. José Bonifácio ficou insatisfeitoao ser destituído do cargo.

Gonçalves Ledo, pelo Partido Libebral, com o ideal republicano, trabalhava para o rompimento total da submissão e relações do Brasil com Portugal, ou seja, a Independência do Brasil. José Bonifácio, pelo partido Andradista, com o ideal monarquista, trabalhava para um movimento de emancipação política e manutenção das relações com a corte portuguesa com a união das coroas e defendia que as lideranças políticas fossem esclarecidas e cultas para manutenção e integração política e econômica do Brasil.

Gonçalves Ledo merece destaque na história da maçonaria brasileira e na independência do Brasil. Fatos que foram obscurecidos, por influência do seu rival e José Bonifácio, ambos maçons embora divergentes nos interesses e perspectivas do futuro político Brasileiro.

Gonçalves Ledo foi um dos maiores maçons Brasileiros e foi um dos mais injustiçados pelos historiadores brasileiros, pois não existem muitos registros da sua participação decisiva nos movimentos da independência brasileira.

REFERÊNCIAS

- ALENCAR, Renato de - Enciclopédia histórica do mundo maçônico – Tomo II – Rio de Janeiro – Editora Maçônica, 1980.
- BATISTA, Walter – Gonçalves Ledo - Disponível em <http://www.goncalvesledo.org/joaquim-goncalves-ledo>, consultado em 28/01/2017.
- CASTELLANI, José e CARVALHO, William Almeida de, - História do Grande Oriente do Brasil – São Paulo, Editora Madras, 2009.
- COSTA, Emília Viotti da – Da monarquia à república: momentos decicivos – São Paulo – Fundação Editora da UNESP, 1999.
- GUIMARÃES, João – Tudo o que seu mestre mandar – Brasília – DF – Academia de Letras de Brasília – 2009.
- LIMA, Gleiton Luiz de – Formação social, política e econômica do Brasil – São Paulo – Editora Pearson Edutarion do Brasil, 2009
- PEREIRA, Juvenal Antunes – Mistérios maçônicos, símbolos perdidos e rastros de intolerância – Brasília – DF – Editora e Gráfica ALPHA, 2011.
- VARELLA, João Marcos Varella - O conflito entre Ledo e José Bonifácio – Disponível em: <http://mictmr.blogspot.com.br/2005/12/o-conflito-entre-ledo-e-jos-bonifcio.html>, consultado em 28/01/2017.

Doutrina maçônica e a ética do obreiro: Consciência Maçônica

Por Arthur Feitosa Vieira Monteiro, 20/01/2017

A maioria das iniciações induz ao iniciando uma passagem de um mundo mais externo para um mundo mais interno. No caso da maçonaria, o maçom pode ser iniciado do contexto material, desprovido de consciência maçônica para o espiritual para a aquisição de uma consciência maçônica.

Percebe-se então, o iniciando, um sentimento que lhe é permitido vivenciar, experimentar e compreender vários aspectos do seu mundo interior. Com passagens, que põe à sua escolha de forma individual, o que é moralmente certo ou errado, que conduz ao florescimento do seu senso íntimo, ou seja, da sua consciência.

Após adentrar aos mistérios da maçonaria, apresentam-se alguns ensinamentos que ressaltam os males da humanidade que comumente se apresentam como o: da hipocrisia, do vício, da perfídia, do erro, do fanatismo, da ambição, da corrupção, da vaidade.

Assim para tratar os males da humanidade, o maçom passa a construir a consciência maçônica com algumas ferramentas na qual se facilita a conexão com o Ente Supremo para proporcionar a felicidade.

A melhor definição da consciência, que apoia a linha deste trabalho, é a do dicionário Etimológico do Mestre Maçom Castellani, citado por (TRISTÃO, 2016): “Castelani (1991, v. 1, p. 128), no Dicionário Etimológico Maçônico, define: Consciência é, entre outras coisas, o julgamento íntimo, pelo qual o espírito humano aprova as boas ações e reprova as más; é o apego aos princípios da honra, da probidade”.

Pode-se considerar como base da doutrina maçônica, que as ferramentas utilizadas para reforçar os princípios morais são: a beneficência, a ética, a fortaleza, a humildade, a justiça, a lealdade, a liderança, a perseverança, a prudência, a serenidade, a temperança e a tolerância. Estes princípios podem ser indiretamente encontrados na legislação primaz da maçonaria moderna, (TRISTÃO, 2016): “Cabe destacar que a doutrina maçônica está disponível nos Landmarks, consolidados por Mackey, e na Constituição de Anderson.”

A maçonaria estabelece uma doutrina baseada na ética baseada nos princípios filosóficos e religiosos que vem sendo aperfeiçoado na linha do tempo. Com o trabalho dos seus afiliados, há uma transformação no comportamento individual, que proporciona um bem-estar entre os seus confrades, com a família e aplicada em diversos ramos da sociedade, tais como política e economia. No dia a dia, a comunidade norteada pela razão, julga o caráter moral de cada pessoa, que reflete um modelo de convivência para promoção da harmonia e do progresso entre todos.

Podemos resumir as virtudes maçônicas em Ética, Moral, Justiça, Liberdade e Consciência que são amplamente discutidas nos contextos filosóficos desde a antiga Grécia.

Encontramos a definição da Ética que define como o caminho do bem e da felicidade em (VASCONCELOS, 2010): “A Ética questiona valores a partir do modo de ser de um determinado povo, de uma determinada cultura. Está intimamente ligada à busca do bem e da felicidade. Em outras palavras, estuda o comportamento moral do ser humano e a sua ação reta.” A maçonaria sugere que a construção do caráter moral de um maçom tenha como uma das finalidades o caminho do bem e da felicidade pessoal e a ser compartilhada com a sociedade.

Quanto a moral, não se restringe apenas aos adeptos das religiões, mas a todos que convivem numa sociedade, e para uma boa convivência são definidas as regras para que as ações sejam previamente acordadas e determina os seus deveres e direitos. Neste caso cada indivíduo passa a responder por seus próprios atos e suas próprias escolhas e suas possíveis consequências determinadas na regra moral.

A justiça pode ser percebida como o de cada pessoa receber aquilo que lhe é devidamente devido. Sendo assim as leis possuem no princípio uma ligação com o divino e as primeiras leis mais conhecidas foram os 10 mandamentos que estabeleciam um comportamento moral. Pois definia o que era o bem e o mal para que a pessoa pudesse realizar sua escolha e suas consequências.

Liberdade é o direito do indivíduo ter a escolha com base na ética sob as regras morais.

A consciência do homem o diferencia dos outros animais. O Homem pode acumular informações, conhecimentos e experiências sobre tudo o que passa com ele. O ser humano pode pensar sobre si, sobre a sua existência, pode questionar o motivo de estar neste mundo, pode questionar sobre a morte, sobre a vida, enfim, pode pensar e questionar sem limites de tempo e espaço. Com a consciência o homem tem inúmeras possibilidades de escolha e de pensamentos. Descartes dizia: “Penso, logo existo”. O pensamento faz com que o ser humano tenha a consciência da sua existência.

A consciência adquirida pelo maçom assemelha-se a mesma consciência adquiridas por não maçons com os exercícios do progresso espirituais propostos por várias religiões. Porém o alicerce filosófico tradicional permite com mais facilidade compreender a formação da consciência com os conceitos de ética, moral, justiça e liberdade.

A maçonaria forma a consciência maçônica de um maçom, apresentando-lhe constantemente através de alegorias, símbolos e mensagens filosóficas os conceitos de ética, moral, justiça e liberdade.
O maçom de posse de ferramentas da doutrina maçônica, e com bastante prática, facilita o trabalho filosófico e simbólico da autolapidação moral e aprimoramento da sua consciência.

Desta forma o maçom adquire o modelo moral de como deve se portar, de como pensar e de como agir. Portanto cabe a ele a Liberdade da construção da consciência do real dever maçônico de como se portar individualmente, coletivamente para trilhar o caminho do bem em busca da felicidade.

REFERÊNCIAS
-VASCONCELOS, Ana – Manal compacto de filosofia- São Paulo- SP – Editora Rideel, 2010
- TRISTÃO, Gilberto - Filosofia e Doutrina Maçônicas – Brasília – DF, Editora UnyLeya – 2016.


Ética

Por Arthur Feitosa Vieira Monteiro, 20/01/2017

A maçonaria estabelece uma doutrina baseada na ética que é alicerçada nos princípios filosóficos e religiosos que vem sendo aperfeiçoado na linha do tempo. Com o trabalho dos seus afiliados, há uma transformação no comportamento individual, que proporciona um bem-estar entre os seus confrades, com a família e aplicada em diversos ramos da sociedade, tais como política e economia. No dia a dia, a comunidade norteada pela razão, julga o caráter moral de cada pessoa, que reflete um modelo de convivência para promoção da harmonia e do progresso entre todos.

Desde a sua fundação formal, a maçonaria preocupa-se com a construção do caráter do obreiro com base na ética e pode ser verificada no seu contexto histórico-social. A sociedade, em parte, está desprovida de ética na política, no trabalho, nos meios culturais, nas famílias e até mesmo nas religiões que antes eram o repositório sagrado da ética e moral.

Percebe-se que atualmente, na sociedade, encontram-se os valores morais distorcidos. Os interesses no culto dos bens materiais forçam os cidadãos na busca da autor realização, na obstinação do prestígio e do sucesso puramente material. Dessa forma o desprezo a ética é diretamente proporcional a conquista de tais valores que não são baseados na moral, ou bem-estar social ou profissional.

Destacaremos os conceitos de ética que são comumente utilizados na sociedade e no meio acadêmico:

Noção de ética

A partir dos estudos sobre Ética na Grécia Antiga, estabeleceu-se regras para uma boa convivência entre os cidadãos que formam a sociedade. Antes disso, vários textos religiosos ensinam e cobram a prática da ética, para que a convivência e as relações sociais se tornem mais pacíficas.

A ética questiona valores a partir do modo de ser de um determinado povo, de uma determinada cultura. Está intimamente ligada à busca do bem e da felicidade. Em outras palavras, estuda o comportamento moral do ser humano e a sua ação reta e suas possíveis consequências.

A ética leva em conta o interesse da sociedade como um todo, diferente da moral, que determina o que é bom e o que é ruim no comportamento das pessoas. A ética indica o que é mais justo ou menos injusto perante as escolhas que fazemos, escolhas estas que podem afetar ou não outras pessoas.

As normas morais são aquelas que se baseiam na consciência moral das pessoas ou do grupo. As normas jurídicas, como o próprio nome diz, baseiam-se na força coercitiva do Estado, devendo ser obedecida; quando não são, ocorre uma punição, prevista em lei.

Definição de ética

Ética é o nome geralmente dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra "ética" é derivada do grego, e significa aquilo que pertence ao caráter. No Dicionário Aurélio (2009) o verbete “ética” é identificado como “o estudo dos juízos de apreciação referentes à conduta humana suscetível de qualificação do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo absoluto”.

Moral é derivado do latim que significa costumes. Na sua origem o conceito de moral e ética era equivalente, para uma melhor definição e entendimento da teoria e da prática, houve necessidade de separação da ética e da moral.

A ética procura teoricamente os princípios fundamentais do comportamento humano. A moral procura de forma direta pôr em prática o comportamento com base nas teorias dos seus princípios fundamentais.

Evolução da ética

Uma rápida visão da história e temos o entendimento de que o conceito de ética passou por transformações em todas as épocas. A sua apreciação acompanhou a evolução da sociedade, onde a razão do resultado foi sendo substituída pela razão não repressora, capaz de autocrítica e colocada a serviço do desenvolvimento humano. Claro que o espectro dos conceitos de ética acompanhou a evolução da própria sociedade, adequando-se às necessidades desta.

Os gregos como os romanos eram homens de profundas ideias e convicções religiosas. Tanto uns como os outros, seja por via da Razão ou da Ação, da Fé ou do acatamento das Leis da Natureza, buscavam unirem-se, compreender, encontrar os seus deuses, esses deuses que permaneciam nos montes, como que a encorajar a elevação dos homens.

Se a ideia destas civilizações foi que a virtude era o meio de chegar a seus deuses, tanto os gregos e os romanos, referiam-se à mesma coisa quando falavam de Ética e de Moral. Tratava-se de harmonizar o homem, de ajudá-lo para que nele brotasse as fontes de Justiça e de Bem que lhe permitiriam beber das águas da Divindade.

Ética empírica

É aquela em que os princípios foram derivados da observação dos fatos. Mais do que isso, foi a experiência concreta na vida social que levou seus defensores a provar o fato de que sem os valores éticos a vida social é impossível. Seus defensores são chamados de “empiristas” e suas teorias da conduta baseiam-se no exame da vida moral. Segundo os empiristas, os preceitos disciplinadores do comportamento estão implícitos no próprio comportamento da maioria dos seres humanos. Para os teóricos da ética empírica, não se deve questionar o que o homem deve fazer, e sim examinar o que o homem normalmente faz, pois o homem deve ser como naturalmente é, e não se comportar como as normas queiram que ele seja. O drama ocidental foi que o empirismo nos levou ao relativismo.

Como a conduta humana varia de acordo com a cultura e o tempo histórico, a defesa que os empiristas fazem da existência de uma moral universal, natural e própria do ser humano mostra-se improvável nos dias atuais, tanto que o subjetivismo, próprio da visão da ética empírica, terminou por gerar visões de ética que são opostas ao conceito grego original - defesa da vida comunitária. É possível assim dividir as teorias éticas nascidas da ética empírica: Ética Anarquista (subjetiva), Ética Utilitarista, Ética Ceticista.

A Ética Anarquista repudia toda norma, todo valor, direito, moral, convencionalismos sociais, religião.


A Ética Utilitarista tem como teoria que só é bom o que é útil: a conduta ética desejável é a conduta útil. A utilidade, porém, é mero atributo de um instrumento. A eficácia técnica dos meios não corresponde ao valor ético dos fins.

A Ética ceticista tem como proposta a dúvida, pondo em dúvida todas as crenças tidas como verdadeiras para as demais pessoas. Uma teoria de ética cética, portanto, é aquela em que o valor moral maior consiste justamente em colocar em dúvida todos os valores aceitos como essenciais para a maioria dos teóricos.

Ética formal

O formalismo ético tem como fundamento um princípio básico proposto por Kant do Imperativo Categórico: Age sempre de tal modo que a máxima de atuação possa ser elevada, por sua vontade, à categoria de lei de universal observância´. O Imperativo Categórico é o supremo princípio da moralidade, ele é incondicional e universal. É o dever de toda pessoa de agir conforme os princípios que ela quer que todos os seres humanos sigam.

Ética dos valores

A ética dos valores ou ética valorativa constitui basicamente uma inversão do que seria a ética formal kantiana, pois para Immanuel Kant uma ação só é boa, só tem valor, se obedecer ao princípio categórico. Enquanto que para a ética dos valores uma ação só é boa se fundamentada em um valor, consequentemente tornando-se um dever. Todo dever é fundamentado em um valor.

O valor é definido no dicionário AURÉLIO como: “Qualidade pela qual determinada pessoa ou coisa é estimável em maior ou menor grau, mérito ou merecimento intrínseco, valia”. Sem valor o homem não existe. Os valores existem por si só, integram a esfera supra-sensível do mundo imaterial. Como não são criados, os valores são descobertos. Segundo a perspectiva assumida por Max Sheler e Nicolai Hartmann, os valores devem ser considerados como realidades absolutas, independentes de suas relações com a realidade. Eles estão separados da existência, pois “ser” e “valor” habitam mundos diferentes. Valores são essências, não se enraízam nas coisas, não são criados pelo homem, apenas descobertos por ele, sendo apenas intuitiva a sua apreensão.

O valor representa um grande marco jurídico para o Direito. São os valores que norteiam a constituição, que traçam suas diretrizes e suas prioridades. “Nenhuma sociedade pode sobreviver sem um código moral fundado em valores compreendidos, aceitos e respeitados pela maioria de seus membros”. Os valores dão sentido ao código de normas, coragem racional e psíquica, e ainda contribuem para a integração social.

Os bens só existem porque existem valores. Os valores só se dão para conhecimento àqueles que possuem capacidade estimativa. As intuições estimativas podem variar, mas não alteram o valor.

Divisão da ética.

Em função dos valores estabelecidos pela consciência do ser humano, a ética foi dividida em objetiva e subjetiva.

A ética subjetiva pressupõe que os valores são constituídos individualmente, não existindo uma forma para se colocar valores para todos.

Pela ética objetiva, os valores são válidos para todos os seres humanos, sendo seus defensores os humanistas e os cristãos. No humanismo, eles são baseados na natureza humana; no cristianismo, os valores são norteados pela fé.

Importância da ética

É indispensável o cidadão adotar um comportamento Ético para viver em harmonia com a sociedade. Plotino quando disse que a Virtude é um meio, um caminho para atingir o Reino da Divindade, ou seja, a Perfeição. Quer dizer que a nossa própria conduta ética é como se fosse uma escada que, conforme o caso nos facilita ou dificulta a ascensão à Realidade.

A maçonaria, em sua doutrina, define que o homem não é um ser à parte da Criação, nem que esteja desvinculado das leis que regem o Universo. No domínio da Física é bem conhecida a lei da ação e da reação: se for produzida uma ação num certo sentido, cria-se imediatamente uma reação de igual intensidade e sentido contrário. Se isto acontece no campo da matéria densa, com mais razão deve dar-se nos planos mentais e emocionais.

Segundo este ponto de vista, a nossa conduta é uma ação que, no plano específico, origina uma reação consequente. Assim sentimo-nos mais seguros, porque nos vemos fazendo parte de uma lei matemática e inexorável, ao mesmo tempo em que adquirimos consciência da nossa própria liberdade ao poder decidir sobre a nossa conduta, e as consequências que pode acarretar essa conduta que escolhemos. E podemos dizer, parafraseando o poeta, que "nós somos os arquitetos do nosso próprio destino".

Interpretamos a ética maçônica a partir de (TRISTÃO, 2016): - Consciência maçônica, que aqui se define como sendo“o poder da alma de se perceber a si mesma como ativa ou passiva”, é o gozo ou privilégio de perceber a si mesmo e as suas próprias modificações com absoluta certeza.”. A maçonaria sugere em um de seus ritos a prática da ética: “Fidelidade ao dever que a consciência impõe”.

Considerações finais

Ao se tratar o cidadão como indivíduo é imprescindível o respeito a sua individualidade. Cada comportamento está associado a personalidade que foi formada pelos princípios éticos por meio da moral estabelecida pela sociedade. Sendo assim pode-se deparar com conflitos de interesses. Diante desse aspecto o cidadão terá que escolher qual o interesse a ser atendido para preservar a harmonia no convívio social. A decisão a ser tomada será baseada em que?

Esta escolha é justamente a definição entre o que é bom ou ruim, o que é certo ou errado para as partes envolvidas. Para uma solução mais eficaz, as regras a serem escolhidas deverão ser baseadas na ética, ou seja, uma vez a necessidade de pô-las em prática utiliza-se a moral com suas normas jurídicas, formais ou informais.

A maçonaria de forma indireta sugere constantemente reflexões de como um maçom deve agir e se é correto? Dentre muitas outras, a Ética faz parte da doutrina maçônica, que abraçam normas morais e jurídicas da sociedade. A forte sugestão é que o maçom de forma ética, se esforce a fim de atender os conflitos de interesses e passe a utilizar a Equidade em vez da simples Justiça.

Referências
-VASCONCELOS, Ana – Manal compacto de filosofia- São Paulo- SP – Editora Rideel, 2010
- RUBATTINO, Alceu – Ética Profissional, uma aboradagem crítica no Ensino – – Belém – PA - Editora Twee, 2016
- A Classificação da Ética – disponível em: <https://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=6&cad=rja&uact=8&ved=0ahUKEwjy4OXxztDRAhWDlJAKHSRWDsoQFgg6MAU&url=http%3A%2F%2Funipvirtual.com.br%2Fmaterial%2FUNIP%2FBACHARELADO%2FCONTABILIDADE%2FSEGUNDO_SEMESTRE%2FETICA_GERAL_PROFISSIONAL%2FDOC%2Fmod_5.doc&usg=AFQjCNHZdNL099Inw6sZsbAXq0fdAzOpnQ&sig2=FaJF2PlJTV0-kPv835k7ww>, consultado em 19/01/2017
- TRISTÃO, Gilberto - Filosofia e Doutrina Maçônicas – Brasília – DF, Editora UnyLeya – 2016.
- NÓBREGA, Ana Cláudia - Ética formal e dos valores – Disponível em: <http://www.ebah.com.br/content/ABAAABPjEAJ/etica-formal-etica-dos-valores> consultado em 12/01/2017


A Participação da mulher na maçonaria.

Por Arthur Feitosa Vieira Monteiro, 18/01/2017



A participação da mulher na maçonaria proporciona bastante interesse nas discussões, tanto no âmbito da maçonaria como fora dela.

Existem vários aspectos sobre a participação da mulher na maçonaria dente eles: A mulher sendo iniciada na maçonaria e a mulher que apoia as atividades para-maçônicas.

Importante ressaltar que independente da mulher ser “maçona” ou não, no procedimento iniciático de um homem quando casado, a mulher tem fundamental importância da concordância e autorização da entrada do marido na maçonaria. Este aspecto ressalta a importância da mulher para a ordem maçônica.

Existem entidades paramaçônicas que apoiam e executam projetos sociais de caráter nacional e/ou internacional, associados à maçonaria. A maioria destas entidades a participação, direta ou indireta, da mulher é fundamental para o desenvolvimento dos trabalhos.

Uma parte significativa das lojas mantém vínculo com entidades paramaçônicas. Na maioria das vezes a Loja mantém um contato mais estreitos com as esposas dos maçons. Surge, então, a necessidade de criação de uma entidade para congregar as esposas (cunhadas). Geralmente denominam-se de Fraternidade Feminina, Colmeia, dentre outras. As atividades destas entidades ficam a critério das fundadoras e geralmente sob a supervisão da loja patrocinadora. Este tipo de ação é importante para as ações de benemerência associada a eventos culturais, jantares e diversão de toda a família maçônica e convidados da Loja patrocinadora.

Destaco a participação das jovens nas entidades paramaçônicas femininas infanto-juvenil. A finalidade principal é a formação do caráter para que as jovens possam ser educadas e formadas com a complementação dos conceitos basilares e morais da sociedade. Certamente a construção do caráter proporciona maior liberdade e segurança para a família, academia e profissão.

Outro aspecto importante é a participação das mulheres, mães de crianças e adolescentes vinculados às várias entidades paramaçônicas juvenis. O acompanhamento é de extrema valia para que os jovens se sintam seguros em um ambiente familiar, aumentando os vínculos, inclusive com outras famílias, que é um dos pilares da maçonaria.

A participação das mulheres diretamente nos quadros das lojas maçônicas é bastante valorizada no exterior. Aqui no Brasil, a participação é modesta e grande parte da sociedade desconhece que a mulher pode ser iniciada.

Atualmente a maçonaria brasileira além dos landmarks e vínculos de regularidade com a GLUI, também está subordinada ao Código Civil (Lei 10.406-10/01/2002) e a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Sendo assim, com a obrigação de observação da Constituição Federal, no Título II dos direitos e garantias fundamentais, Capítulo I Dos direitos e deveres individuais e coletivos, no inciso I do artigo 5°, declara que: “I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição”.

Percebemos uma situação controversa entre qual lei seguirmos? Os Landmarks ou a Constituição do País? Apesar dos mecanismos internos para aprovação ou rejeição de candidatos. A maçonaria regular no Brasil a qualquer momento pode ser notificada pela justiça para admissão de mulheres nos seus quados de obreiros das lojas.

No caso da participação direta das mulheres nas Lojas maçônicas, ou seja, submetidas ao rito iniciático ressaltamos a possibilidade do ingresso nas Lojas mistas, que permitem a participação de homens e mulheres e Lojas femininas que a participação é exclusiva de mulheres.

Importante observar qual o melhor rito a ser praticado pelas mulheres em lojas exclusivas e também no caso de lojas mistas para um melhor aproveitamento das energias físicas, mentais e psíquicas.

Dentro da maçonaria regular, subordinada à Grande Loja Unida da Inglaterra (GLUI), existe uma divisão de opiniões sobre aceitação das mulheres. Porém, como estas Potências Maçônicas estão alicerçadas nos landmarks, não é possível a adoção das mulheres em seus quadros sem perder o status da regularidade.


REFERÊNCIAS
- MELO, Eugênio Lisboa Vilar - Instituições Maçônicas e ParaMaçônicas – Brasília -DF – Editora UnyLeya, 2016.
- Entidades paramaçônicas Disponível em: <www.gob.org.br> consulta em 09/01/2017.
- Order of Women Freemasons. Disponível em < https://www.owf.org.uk/ > Acesso em 5 jan 2017.
- Grande Loge Féminine de France. Disponível em < .http://www.glff.org/ > Acesso em 5 jan 2017.
- The Grand Lodge of Freemasonry for Men and Women . Disponível em <.http://www.grandlodge.org.uk/ >. Acesso em 5 jan 2017.
- Grande Loge Mixte de France. Disponível em < http://www.glmf.fr/>. Acesso em 5 jan 2017.


Entidades Paramaçônicas e sua integração no Brasil, com a maçonaria e maçons.

Por Arthur Feitosa Vieira Monteiro, 19/01/2017

A participação de maçons nas atividades que extrapolam os limites das Lojas, naturalmente, requer a participação dos seus familiares e sociedade. Desta forma, o modelo de formação de caráter dos maçons, podem ser estendidos ou compartilhados por meio de entidades paramaçônicas, com suas regras próprias e formas de reuniões. O maçom Kennyo Issmal ressalta que o investimento na juventude, através da criação e desenvolvimento das Ordens Paramaçônicas Juvenis Internacionais, foi, sem dúvida alguma, a maior obra maçônica no século XX.

A integração dos maçons brasileiros com as diversas entidades proporcionam a fraternidade associada ao progresso dos que participam e o benefício final fica para a sociedade.

No Brasil, a denominação de Entidade Paramaçônica é utilizada para identificar as associações que não se enquadram na categoria de Lojas Maçônicas. As entidades paramaçônicas, em linhas gerais, é o espaço ocupado especialmente pelos parentes dos maçons que realizam atividades complementares às Lojas, visando contribuir com a formação, solução de problemas sociais e em prol do bem comum. 

Destacaremos as entidades mais importantes que atuam no Brasil: Ação Paramaçônica Juvenil (APJ), Shriners, a Antiga Ordem Árabe dos Nobres do Santuário Místico (AOANSM), Filhas do Nilo, Ordem Internacional das Filhas de Jó Ordem da Estrela do Oriente (Eastern Star), Ordem Internacional das Meninas do Arco-Íris (Rainbow Girls), Ordem DeMolay.

As entidades citadas possuem um vínculo mais estreito com as Lojas maçônicas. Geralmente no momento da sua idealização, ou mesmo, da sua fundação, é notória a participação de quase a totalidade dos maçons vinculados a Loja. Com o passar do tempo, as entidades passam a sofrer a escassez de apoio dos maçons, restando poucos abnegados que sofrem desgastes por assumirem a responsabilidade sozinho ou em um grupo ínfimo em relação a Loja.

Em contrapartida, os participantes das entidades, vislumbram o melhor para o grupo, trabalham com afinco para sustentação moral de sua entidade e consequentemente promovem ações que beneficiam diretamente a sociedade. Raras vezes percebe-se que tais entidades promovam ações conjuntas as lojas maçônicas e com outras entidades paramaçônicas não afins.

A grande vantagem, que na maioria das vezes não é explorada, abrange a vascularidade de tais entidades/lojas por diversas cidades em todo Brasil. Uma ação conjunta planejada e com tema apropriado, proporcionaria um impacto positivo e significativo na sociedade brasileira, haja vista resultados de trabalhos de entidades não-paramaçônicas tais como Rotary, Lions Club, Escotismo.

Possivelmente, a pálida participação destas entidades, possam ser acarretadas pelas prioridades estabelecidas pelas lideranças maçônicas. A conscientização dos objetivos e resultados benéficos destas entidades deveria ser de conhecimento de todo o corpo de maçons brasileiros. Um projeto poderia ser desenvolvido em tres etapas: a primeira etapa publicidade de tais entidades aos maçons no âmbito das lojas; segunda etapa consolidação de projeto um projeto nacional e terceira etapa a execução envolvendo a sociedade. Certamente a finalidade de tais entidades seriam alcançadas.

As entidades paramaçônicas proporcionam a solução de uma lacuna muito grande na Ordem Maçônica, uma vez que inicialmente a maçonaria estava restrita apenas aos homens de bons costumes. Esse vazio que permeava a sociedade, aos poucos foram parcialmente ocupados com a participação dos familiares dos maçons e pessoas próximas.

A partir da formação de um maçom nos trabalhos internos de uma Loja, torna-se evidente o grande e prestimoso auxílio nas atividades de formação dos jovens é para a sociedade.

As demais entidades paramaçônicas restritas a participação dos maçons, destaco a importância da fraternidade, laços entre maçons de várias lojas com espírito de satisfação social, que resulta os princípios de benemerência.

Um projeto de vulto nacional poderá integrar substancialmente todas as entidades paramaçônicas, maçons, maçonaria, entidades sociais e sociedade para promover o progresso que é um dos princípios basilares da ordem maçônica.

REFERÊNCIAS
- MELO, Eugênio Lisboa Vilar - Instituições Maçônicas e ParaMaçônicas – Brasília -DF – Editora UnyLeya, 2016.

- Entidades paramaçônicas Disponível em: <www.gob.org.br> consulta em 09/01/2017